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Evidência de teste de software

Evidência de teste é o registro do que aconteceu na tela durante a execução de um caso de teste: os passos que foram dados, o que o sistema respondeu, e as informações que permitem a outra pessoa entender aquilo meses depois, sem você por perto para explicar.

Ela existe por três motivos diferentes, e vale saber qual é o seu: provar que um defeito acontece, para quem vai corrigir; provar que um requisito foi atendido, para quem vai homologar; e cumprir exigência de auditoria, que em instituição financeira alcança até o cenário que passou.

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O que uma evidência precisa ter

A pergunta que decide se um campo entra é sempre a mesma: sem ele, alguém que não estava lá consegue entender o que aconteceu? Os quatro primeiros dizem o que foi testado; os quatro últimos dizem em que condições, e são justamente os que costumam faltar.

Campo Por que ele existe
Identificação do caso Liga a evidência ao roteiro e ao requisito. Sem ela, o documento é um vídeo solto que ninguém sabe onde arquivar.
Pré-condições O estado em que o sistema estava antes. Metade dos defeitos que "não reproduzem" morre aqui.
Passos executados O que foi feito, na ordem, com o nome real do que foi clicado. Não a intenção, e sim a ação.
Resultado esperado e obtido Os dois, lado a lado. Só o obtido não é evidência de defeito, é uma captura de tela.
Quem executou Quem responde pela execução, e a quem perguntar quando a dúvida aparecer.
Quando Data e hora com fuso. Sem fuso, uma equipe distribuída discute em qual dia o teste rodou.
Onde Ambiente, versão do sistema, máquina e resolução da tela. É o que separa "não reproduz aqui" de "reproduz na sua máquina".
Situação Aprovado ou reprovado, dito com todas as letras. Quem lê não deveria precisar deduzir.

Baixe o modelo pronto

Documento do Word com os campos acima, três blocos de passo para duplicar, o bloco de integridade e a conferência final. Sem cadastro e sem e-mail.

Baixar o modelo (.docx)

Use, copie e adapte à vontade, inclusive dentro da sua empresa.

Se a sua empresa é auditada, confirme com quem responde pela auditoria antes de decidir o formato. Em instituição financeira é comum exigir evidência também do cenário que passou, e não só do que falhou.

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As três formas de gerar, e o que cada uma custa

Não existe a melhor: existe a que cabe no tamanho do que você precisa registrar. Um caso de dois passos não pede vídeo, e um fluxo de vinte não cabe em print colado.

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    Print colado num documento

    A Ferramenta de Captura do Windows e um documento de texto. É de graça, todo mundo já sabe fazer, e o arquivo é leve.

    Um aviso que ainda circula desatualizado: muita recomendação de evidência cita o Gravador de Passos, o antigo psr.exe, que montava um documento com print a cada clique. A Microsoft o descontinuou, e desde a atualização de fevereiro de 2024 ele exibe aviso de transição no Windows 11. A substituta indicada pela própria Microsoft é a Ferramenta de Captura, que passou a gravar tela além de capturar imagem. Quem dependia dele tem um guia próprio: o que usar no lugar do Gravador de Passos.

    O que custa: o tempo de montar. Recortar, colar, numerar, escrever a legenda e repetir. E o resultado deixa dúvida quando o defeito depende de uma sequência: entre um print e o seguinte, ninguém sabe o que aconteceu. Serve bem até uns três ou quatro passos.

  2. 2

    Gravação em vídeo

    Um gravador de tela qualquer, do OBS Studio à barra de jogo do próprio Windows. Não deixa dúvida nenhuma sobre a sequência, porque está tudo lá.

    O que custa: peso e paciência. O arquivo ocupa espaço, e ninguém assiste a vinte minutos de vídeo para achar onde quebrou. Vídeo sozinho, sem um índice do que acontece e em que minuto, empurra o trabalho de leitura para quem recebe.

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    Geração automática

    Uma ferramenta acompanha a execução e monta o documento sozinha. Para teste automatizado isso já é resolvido dentro da própria suíte: o Cypress guarda captura a cada falha, o Playwright grava o trace da execução inteira, e Allure, TestRail e o Selenium Evidence montam o relatório a partir do que rodou. O anexo depois vai para onde o time já gerencia os casos, que costuma ser Jira com Xray ou Zephyr, ou o Azure DevOps.

    O que custa: para teste manual, a oferta é bem menor, porque a ferramenta precisa entender o que você clicou sem que exista um script dizendo. É o caminho que economiza mais tempo, e o que mais depende de escolher a ferramenta certa.

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Um exemplo real

Abaixo, o cabeçalho de uma evidência gerada de um caso de checkout com cupom expirado. Não é uma ilustração: é o documento que saiu de uma execução, e serve para você comparar com o que a sua equipe entrega hoje.

Cabeçalho de uma evidência de teste: título do caso, contagem de etapas, período com fuso, operador, sistema operacional, resolução da tela e aplicativos usados
O bloco de procedência é o que transforma um vídeo em evidência: período com fuso, operador, sistema, resolução e aplicativos em uso. Quem lê sabe onde, quando e em que máquina aquilo aconteceu.

É o arquivo que sai do aplicativo, sem corte e sem montagem: um HTML único que abre em qualquer navegador, sem rede e sem instalar nada. É assim que ele chega a quem recebe a sua evidência.

Repare no que está escrito e no que não está. Está o nome real do elemento que recebeu a ação. Não está a intenção de quem testou, porque nenhuma ferramenta vê intenção: ela vê o clique. Evidência que afirma intenção é interpretação disfarçada de registro.

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A parte que quase ninguém registra

Um print é um arquivo de imagem. Qualquer pessoa abre num editor, troca um número, salva e entrega. Não estou dizendo que alguém da sua equipe faria isso; estou dizendo que a evidência, como artefato, não tem como provar que não foi feito.

A resposta para isso é velha e barata: um resumo criptográfico do arquivo, normalmente SHA-256, calculado no momento em que a evidência é gerada e registrado junto dela. Mude um pixel e o código muda inteiro. Quem recebe confere com um comando e sabe que o arquivo é o mesmo que saiu da execução.

Get-FileHash .\evidencia.mp4 -Algorithm SHA256

Isso não é exigido em todo projeto, e não faz sentido em todo projeto. Faz sentido quando a evidência vai sair da equipe: para o cliente, para a auditoria, ou para um contrato em que alguém pode contestar depois.

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Onde guardar, como nomear e por quanto tempo

Esta é a parte que quase nenhum material sobre o assunto cobre, e é a primeira que dói: seis meses depois, ninguém acha a evidência daquele caso, e quem achou não sabe se é a versão final.

O nome do arquivo faz metade do trabalho

Um nome que carrega projeto, ciclo, identificação do caso e data resolve busca sem depender de ferramenta nenhuma, e sobrevive a mudança de pasta, de sistema e de equipe. Um padrão que funciona:

PROJETO_Sprint-24_CT-014_checkout-cupom-expirado_2026-09-05.mp4

A data em ano, mês e dia ordena sozinha na listagem. A identificação do caso é o que liga a evidência ao roteiro, e é ela que torna possível responder "onde está a evidência do CT-014" sem abrir arquivo.

Rastreabilidade é o que dá valor ao acervo

Evidência solta é arquivo; evidência ligada é registro. A corrente que interessa tem quatro elos: requisito, caso de teste, execução e evidência. Com ela, quem audita pergunta "este requisito foi testado?" e a resposta é um caminho, não uma garimpagem. Sem ela, cada pergunta vira uma escavação, e é por isso que a matriz de rastreabilidade continua existindo mesmo em equipe que abandonou todo o resto da documentação formal.

Por quanto tempo guardar

Não existe um número universal, e desconfie de quem der um. O prazo vem de fora da equipe de teste: do contrato com o cliente, da política de retenção da empresa, ou da norma do setor. O que a equipe decide é onde guardar de um jeito que sobreviva ao prazo, e isso costuma significar fora da máquina de quem testou.

Duas perguntas resolvem a política inteira: quem pode abrir esta evidência, e até quando ela precisa existir. Se a resposta da primeira for "qualquer pessoa da empresa" e a evidência tiver dado de cliente dentro, você tem um problema de LGPD antes de ter um problema de teste.

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Cinco erros que aparecem sempre

  1. Print sem contexto. A tela do erro, sozinha, sem o que foi feito antes. Quem recebe não consegue reproduzir, e devolve o chamado.
  2. Só o resultado obtido. Sem o esperado ao lado, o leitor precisa adivinhar por que aquilo é um defeito.
  3. Dado sensível na imagem. CPF, e-mail, token e cartão vão junto sem ninguém perceber, e evidência com dado pessoal de cliente circulando por anexo de chamado é tratamento de dado pessoal como qualquer outro, com LGPD e tudo. Depois de compartilhada, a imagem não volta, e a tarja preta desenhada por cima muitas vezes é só uma camada que se remove com dois cliques: o borrão precisa apagar nos pixels.
  4. Vídeo sem índice. Vinte minutos de gravação e nenhuma marca dizendo em que minuto o problema aparece.
  5. Ambiente não declarado. A discussão de "na minha máquina funciona" começa aqui, e termina quando alguém declara versão, sistema e resolução.

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Perguntas frequentes

Evidência de teste e caso de teste são a mesma coisa?

Não. O caso de teste é o roteiro, escrito antes: o que será testado, com quais dados e qual resultado se espera. A evidência é o registro do que aconteceu quando aquele roteiro foi executado. Um descreve a intenção, o outro registra o fato.

Preciso registrar evidência do teste que passou?

Depende de para quem a evidência serve. Para reportar defeito, só o que falhou interessa. Para homologação e para auditoria, o cenário aprovado costuma ser exigido também, porque é ele que prova que o requisito foi atendido. Em instituição financeira isso é regra, não escolha.

Print ou vídeo, o que é melhor?

Nenhum dos dois, sempre. Print resolve o caso curto e é leve. Vídeo resolve o caso longo e o defeito que depende de sequência, mas pesa e ninguém assiste inteiro. O melhor resultado costuma vir do vídeo com marcações, que dá o passo escrito e a imagem do momento sem obrigar ninguém a assistir.

Existe um modelo pronto de evidência de teste?

Existem muitos, e a maioria dos que circulam são documentos de órgão público em PDF, com campos que não valem para todo projeto. A tabela do tópico 01 desta página é a lista mínima: se o seu modelo cobre aqueles oito campos, ele serve. O formato do arquivo importa menos do que a pergunta de sempre, se quem não estava lá entende.

Como provo que a evidência não foi alterada?

Com o resumo criptográfico do arquivo, gerado no momento da criação e registrado junto da evidência. É o assunto do tópico 04. Sem isso, a integridade da evidência depende da confiança em quem a entregou, o que pode bastar dentro da equipe e não bastar num contrato.

Por quanto tempo preciso guardar a evidência?

O prazo não vem da equipe de teste: vem do contrato com o cliente, da política de retenção da empresa ou da norma do setor. Quem responde pela auditoria costuma ter esse número. O que cabe à equipe é guardar de um jeito que sobreviva ao prazo, o que quase sempre significa fora da máquina de quem executou.

Como ligo a evidência ao caso de teste e ao requisito?

Pelo nome do arquivo e pela ferramenta de gestão, juntos. O nome carrega a identificação do caso, o que faz a ligação funcionar mesmo fora de qualquer sistema; a ferramenta onde os casos vivem, que costuma ser Jira com Xray ou Zephyr, ou o Azure DevOps, guarda o vínculo com o requisito. É a matriz de rastreabilidade, e ela continua útil mesmo em equipe que largou o resto da documentação formal.

O Gravador de Passos do Windows ainda serve?

Ele foi descontinuado pela Microsoft, e desde a atualização de fevereiro de 2024 exibe aviso de transição no Windows 11. Muita recomendação de evidência ainda o cita, porque foi útil por anos: ele montava um documento com um print a cada clique. A substituta indicada pela própria Microsoft é a Ferramenta de Captura, que passou a gravar tela além de capturar imagem. As opções, e o que cada uma faz, estão no guia do Gravador de Passos.

Dá para gerar evidência sem instalar nada?

Para o print, sim: a ferramenta de captura já vem no Windows, e um documento de texto resolve o resto. Para vídeo, você precisa de um gravador, e há opções gratuitas conhecidas como o OBS Studio e a barra de jogo do próprio Windows. Para geração automática do documento, não: essa parte depende de uma ferramenta que acompanhe a execução.

Sobre quem escreveu isto

O CaptureHub é um gravador de tela para Windows que gera a evidência sozinho: cada clique vira um passo escrito com o nome real do elemento, a imagem do momento entra ao lado, e o documento sai com o bloco de procedência e o SHA-256 que esta página descreve. É o terceiro caminho do tópico 02, feito para teste manual.

O que ele não faz: não roda suíte automatizada, não substitui Allure nem TestRail, e não é gerenciador de casos de teste. Se o seu registro cabe em três prints, a ferramenta de recorte do Windows resolve, e é de graça.

Gravação, processamento e arquivos ficam na sua máquina. O plano gratuito não expira e a ficha com SHA-256 sai nele.

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